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Desabafos,,

Da vida não quero muito. Quero apenas saber que tentei tudo o que quis, tive tudo o que pude, amei tudo o que valia a pena e perdi apenas o que, no fundo, nunca foi meu.

Desabafos,,

Da vida não quero muito. Quero apenas saber que tentei tudo o que quis, tive tudo o que pude, amei tudo o que valia a pena e perdi apenas o que, no fundo, nunca foi meu.

A liberdade, o mar, o abismo,,,

manel martins, 20.11.20

 

Um dia perguntaram-me de que é que eu mais gostava. Houve um silêncio dentro de mim. Gostava de muita coisa e, em simultâneo, parecia que não gostava de nada, verdadeiramente.
A liberdade, o mar, o abismo estonteante do devir eram traves mestras do meu ser, como o são para qualquer outro, não se distinguindo propriamente de forma suficientemente peculiar para que as pudesse identificar como caracteristicamente minhas.
Foi como quando perguntam a uma criança "E quando fores grande, o que queres ser?" E a criança fica com aquele ar embaraçado, porque não conhece a base de dados das coisas que se pode ser quando se é grande... Ou então quer ser tanta coisa que não consegue escolher. A pergunta parece-lhe apontar para uma resposta fechada, concreta, e logo previsível, mas, para a criança, a resposta pode estar muito para além do seu horizonte conceptual.
Aquilo de que se gosta mais é uma questão muito semelhante. No entanto, há pessoas que sabem muito bem responder a esta pergunta e, geralmente, são bem sucedidas. O José Mourinho, por exemplo, é óbvio que tem paixão por aquilo que faz. E é bem sucedido. Salvador Dali tinha uma paixão pela extravagância que, artisticamente, persiste na nossa memória. Mozart gostava tanto da música que ainda hoje nos enfeitiça com a sua Flauta Mágica... Coco Chanel encantou-se e encantou-nos criando e inovando no mundo da Moda, entre tantos outros…

Desafio-vos a descobrir, bem lá no fundo de que é que mais gostam. Se tivessem que abdicar de tudo na vida, o que restaria? Se pudessem escolher uma nova vida, se não tivessem compromissos, nem relações ou contratos, se pudessem fazer ou ser o que quisessem, só porque sim, o que seria? Sim, qual é, de facto, a vossa paixão ou talento? Lá, no fundo, de que é que mais gostam?

Confesso que não soube logo o que responder. E fiquei a pensar muito tempo no assunto e só quando parei de pensar, houve uma ideia que me saltou à memória, num movimento parecido com o de uma bola que é empurrada para o fundo do mar e, quando já nos esquecemos dela, subitamente regressa à superfície. Abriu-se como um bolinho da sorte e assim “lembrei-me” que aquilo de que mais gostava era de aprender. Não era só aprender, era aprender com prazer, era paixão de aprender.
Penso que tenho sorte. Parece-me, também, que nos falta descobrir como devolver esta paixão de aprender, tão frequente nas crianças, a quem nos aparece, em adulto, com motivações extrínsecas: ascensão na carreira, arranjar um emprego, a sociedade insiste, a família e os amigos dizem que é melhor… Trata-se de um desafio difícil, estimular motivações intrínsecas, mas é por uma causa nobre…

autor: desconhecido,,