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Desabafos,,

Da vida não quero muito. Quero apenas saber que tentei tudo o que quis, tive tudo o que pude, amei tudo o que valia a pena e perdi apenas o que, no fundo, nunca foi meu.

Desabafos,,

Da vida não quero muito. Quero apenas saber que tentei tudo o que quis, tive tudo o que pude, amei tudo o que valia a pena e perdi apenas o que, no fundo, nunca foi meu.

O ESPÍRITO DOS NATAIS FUTUROS

manel martins, 18.12.20

O desabafo de hoje é fruto da época,roubei o texto porque o acho muito atual ,,

Há um traço comum que os portugueses têm dificuldade em ultrapassar, fruto de séculos de História e quatro décadas em ditadura. Somos adeptos de um Estado paternalista, que nos indica o caminho, conduz e orienta.

Reclamamos baixinho, mas baixamos a cabeça e até nos confortamos com certos argumentos de autoridade que nos desresponsabilizam na hora de decidir. Habituados a ter de obedecer e não a pensar, esperamos que nos digam o que podemos e não podemos fazer, porque deixados à nossa consideração, tendemos a ficar à toa com tanta liberdade.

A discussão em torno do que vamos poder ou não fazer no Natal e no Ano Novo lembra-me esta nossa incapacidade crónica para nos autogovernarmos.

Não devia competir ao Governo decidir como podemos passar as nossas festas de família, e a que riscos devemos, cada um de nós, estar sujeitos. Não é preciso ser médico ou epidemiologista para perceber que a situação está ainda muito complexa, basta olhar para os gráficos e relatórios diários. Não é só em Portugal, é em toda a Europa. A Holanda vai entrar em confinamento total, na Alemanha serão impostas novas restrições apertadas, no Reino Unido a situação é “extremamente preocupante”, em Espanha e Itália deverão ser impostas mais medidas. Até na Suécia, resistente crónica a planos de contingência, o ressurgimento da doença exigiu a adoção de medidas excecionais e fez soar os alarmes da necessidade de um pedido de auxílio aos países vizinhos.

Ao contrário do verão, em que os novos casos diários e o número de mortos desceram muitíssimo, o risco de contaminação agora é elevado. As novas medidas impostas pelo Governo resultaram, mas não baixaram de forma drástica os contágios nem os mortos.

Sou adulta e capaz de entender que situações excecionais exigem soluções excecionais. Não preciso que um primeiro-ministro me diga que tenho de adotar todos os cuidados possíveis nesta quadra festiva, reduzindo ao máximo o número de pessoas na festa (outrora com mais de 40 pessoas), mantendo as máscaras sempre colocadas, os desinfetantes sempre à mão e as salas arejadas. E escolho fazê-lo porque sim, porque sigo a Ciência e os médicos, e não porque me mandam.

Esta semana, soube de uma história próxima que me tirou o sono. Uma amiga de uma amiga apanhou Covid, infetou a mãe num jantar de família, e a progenitora, já idosa, veio a falecer.

É uma situação que pode acontecer a qualquer um, por mais cuidadoso e bem intencionado que seja. O pior pesadelo da Covid é a ideia de contaminar familiares e amigos e estes passarem muito mal ou até morrerem. Viver com esse peso e gerir essa dor é algo que não consigo sequer imaginar. Isso acontecer num Natal é arruinar todas as festas daí em diante. Mesmo sem receber a visita do Espírito dos Natais Futuros, como no conto do Charles Dickens, este é um risco que ninguém minimamente informado e no seu perfeito juízo deveria estar disponível para correr. Com ou sem medidas impostas pelo Governo.

(Mafalda Anjos, (visão)

 

3 comentários

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    manel martins 20.12.2020

    Minha querida Isabel , a princípio pareceu estar a ler um texto de despedida e fiquei assustado, depois percebi que voltarias, assim eu acalmei o meu receio, percebi que voltas logo que possas, volta, eu por cá vou ficar e quando voltares farás o que tens feito, continuarás a ser minha inspiração, qual musa e assim eu sei que continuarei a escrever!,
    Um feliz Natal minha amiga
    Manel Martins
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    atravésdaescrita 20.12.2020

    Volto sim meu amigo. Volto antes do fim do ano.
    Sabes estes dias são difíceis para quem não tem família (para quem apenas guarda memórias de todos no coração) e por isso preciso também eu destes dias de silêncio.
    Feliz Natal, meu amigo de sorriso feliz.
    Abraço de amizade e carinho
    Isabel Caeiro

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